Pretendo escrever alguns posts sobre o valor da automação realçando principalmente os benefícios que parecem ser intangíveis, mas que na verdade são tangíveis e mensuráveis.

Cresci trabalhando com meu pai na nossa fábrica de pré-moldados, a INDARC, em Maceió-AL. Ainda pequeno, aprendi a importância de atender muito bem aos clientes, de conhecer perfeitamente os custos, a dinâmica do negócio, e de buscar melhorias continuamente.

Lembro-me bem das diversas vezes em que aos domingos imaginavamos como poderiamos modernizar e/ou automatizar determinadas etapas do nosso processo produtivo. Alí já nascia meu interesse pela engenharia e pela automação industrial.

Dez ou quinze anos atrás, quando abriamos um posto de trabalho para servente de pré-moldados e divulgávamos simplesmente através de uma placa de 50×50 colocada na frente da nossa fábrica, recebiamos algo em torno de 30 candidatos. Entre eles estavam pessoas que mal sabiam escrever o próprio nome, quando não precisavam carimbar o polegar. Mesmo com baixo grau de escolaridade, dos 30 candidatos selecionavamos 10 para contratos de experiência e absolviamos 5.

Naquela época, todos os cálculos que fazíamos para analisar investimentos em melhorias eram baseados na economia de mão-de-obra. Com salário mínimo “miserável” e abundância na oferta de mão-de-obra, nossos projetos muitas vezes não se mostravam tão interessantes.

Nos dias atuais o cenário é totalmente diferente. Quando precisamos contratar um servente, a oferta não passa de dez candidatos que na maioria concluíram o ensino fundamental. Desses, acabamos conseguindo selecionar três para contratos de experiência dos quais eventualmente contratamos 1. Ou seja, está muito mais difícil contratar profissionais para atividades de baixo valor agregado que antigamente.

Sendo assim, notamos que a redução na oferta de mão-de-obra inseriu um novo valor para a automação industrial: o custo não investir.

Para perceber o valor que uma máquina automática dispõe a uma empresa, basta analisar a situação de forma inversa: “tirar o pirulito da boca da criança”. Na nossa fábrica de pré-moldados, instalamos duas guilhotinas que medem e cortam automaticamente aço para a confecção das nossas armaduras. Ora, quando mês passado uma delas parou após descargas atmosféricas que causaram danos em várias instalações industriais de Maceió, meu pai e meu irmão tiveram que deslocar uma pessoa de uma atividade produtiva, para outra que não agrega qualquer valor nem ao produto, nem à empresa, nem ao trabalhador.

Em outras palavras, agora não estamos mais analisando o custo de implantação da máquina, mas sim a perda de lucro em não tê-la. Ou seja, agora o valor do equipamento esta diretamente relacionado à produção perdida por ter que deslocar um trabalhador para aquela atividade que não agrega qualquer valor ao produto. Para exemplificar, imagine que com a guilhotina quebrada, a fábrica desloca para o corte do aço um servente que normalmente produziria em 8h, 100 peças de determinado produto cuja venda é certa. Não estamos mais calculando o custo das 8h do servente, mas sim o lucro perdido pela não-produção das 100 peças.

Investir numa máquina pode parecer caro quando se pensa simplesmente no custo direto da mão-de-obra(horaxhomem), mas não-investir se mostra muito mais dispendioso. Basta considerar que na ocorrência de uma parada da máquina a empresa precisa criar um posto de trabalho desnecessário e sem valor agregado. Isso significa: selecionar o profissional, contratá-lo, capacitá-lo e mantê-lo.

Em síntese, uma proposta de investimento numa máquina pode levar ao cliente uma oportunidade de lucro, e não um custo. Para isso é preciso além de verificar os impactos nos custos diretos, analisar o cenário na hipótese de ela ter a tecnologia e não poder utilizá-la por um período. Dessa forma, perceber-se-á outros custos envolvidos em não ter o recurso tecnológico.

Você se vê hoje sem um telefone celular, por exemplo? Nem eu.

Ao contrário do que acontecia no passado, hoje é difícil encontrar um equipamento que não funcione. Como a maioria atende aos requisitos mínimos para controlarem máquinas e/ou processos, a escolha deve se basear nas respostas às seguintes perguntas:

  1. O equipamento é robusto? O que dizem outros que o utilizam a respeito?
  2. O suporte é bom? Você confia nos integradores?
  3. Se o hardware apresentar um problema, qual o tamanho da “dor de cabeça” ?
  4. Caso o fabricante descontinue a linha, há alternativas de substituição?
  5. Se você precisar integrar com outros componentes, a solução disporá de conectividade?
  6. Quanto custa?

Dentro desses parâmetros, eu destaco dentre todos os fabricantes a VIPA e a Rockwell. A VIPA é uma indústria alemã especialista em compatibilidade com Siemens e a Rockwell é uma fabricante que dispõe de uma linha completa de hardwre para automação industrial. De um lado, os recursos e o detalhismo alemão. Do outro, a praticidade americana.

Enquadrando a VIPA nos fatores de análise, temos:

  1. O equipamento é robusto e quem usa aprova.
  2. A Orkan, a Mekatronik e outros parceiros dispõem de pessoal 24h em ação.
  3. O tempo de restart é o mesmo que o dos sistemas Simatic S7-300/400.
  4. As linhas SPEED7 e System 300V podem ser substituidas por CPUs e módulos doS7-300 (no máximo, será necessário fazer configuração de hardware). As demais linhas são funcionalmente compatíveis (programáveis em Step7).
  5. A VIPA dispõe de interfaces Profibus, Ethernet, Devicenet, Modbus, Interbus, Sercos, AS-I e outras.
  6. Os preços da VIPA são normalmente muito interessantes.

Eu considero que que a análise acima deixa claro que as duas marcas (VIPA e Rockwell) são especificações vencedoras. Por isso, sua diferenciação requer outras observações.

Recentemente começamos a trabalhar com a Rockwell. Estamos falando possivelmente da maior fabricante de sistemas de automação industrial do mundo. Observe-se que ela atende a todos os requisitos acima listados de forma semelhante à VIPA, e tem uma espetacular e completa linha de sistemas de automação.

Para decidir com segurança, recomendo refinar a análise respondendo às seguintes perguntas:

  • Na região, os integradores são bons? Atendem sempre que são solicitados?
  • A equipe de manutenção é capacitada a trabalhar com qual tecnologia?
  • Que padrão de comunicação vai-se adotar? Profibus? Devicenet? ??
  • Qual a diferença de preço?

A Mekatronik trabalha sempre com os melhores sistemas em novos projetos. Os atendimentos a máquina parada, naturalmente, incluem uma ou duas outras marcas. A prioridade é atender ao cliente e fornecer a melhor solução, especificando o sistema mais adequado!

Estamos à disposição através do e-mail engenharia@mekatronik.com.br, ou do telefone 81-3272-4212. Conte conosco!

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Não é fácil valorar em termos monetários, benefícios como:

  • Segurança e Confiabilidade em Sistemas Críticos
  • Gerência de Informações de Tempo Real
  • Otimização de Informações, no Sentido de Fornecer uma Interface Homem Máquina Apropriada
  • Identificação e Gerenciamento de Falhas em Sistemas de Produção
  • Comunicação Segura entre Dispositivos Heterogêneos
  • Garantia de Qualidade

Se por um lado, existe entre os dirigentes industriais um consenso de que não investir em tecnologia é uma estratégia de altíssimo risco, por outro, os métodos mais usados de avaliação de projetos de investimentos contribuem para a rejeição de projetos de longo prazo.

O Payback time, por exemplo, um dos mais populares critérios de decisão sobre investimentos, é o maior vilão dos projetos de retorno a longo horizonte. Seu maior defeito está na desconsideração dos retornos advindos após o tempo em que se busca o retorno do investimento. Quando uma empresa decide que investirá apenas em projetos cujo retorno ocorra em 2 anos, ela está desprezando todo o retorno que possa ser obtido, após os 2 anos, que muitas vezes não demanda esforço adicional algum. Assim, um investimento cujo retorno após os dois anos é ZERO, compete de igual pra igual com outro cujo retorno após os 2 anos é alto, sob a ótica do Payback time.

A literatura financeira dispõe que a combinação do VPL(Valor Presente Líquido) com a SMC(Simulação Monte Carlo) oferece uma das melhores estimativas do retorno de um projeto de investimento. Sua aplicação é simples, e a confiabilidade depende das estimações do comportamento das variáveis econômicas (demanda, taxa de juros, custos etc).

Como não é possível prever o futuro, deve-se estimar diversas possibilidades (analisar cenários). Com o auxílio de planilhas eletrônicas, essa tarefa torna-se simples, e oferece indicadores seguros desde que aplicada com base em informações consistentes. Acredite, isso chama-se simulação, e não é um bicho de 7 cabeças.

A Simulação Monte Carlo (SMC), por exemplo, técnica largamente utilizada para se avaliar investimentos, nada mais é que a geração de uma tabela com inúmeras possibilidades do que pode ocorrer (10 mil estimações do VPL de um projeto, por exemplo),  da qual se extrai a média e o desvio padrão. Qualquer planilha eletrônica faz isso.

A parte mais importante da simulação está na estimação dos comportamentos de variáveis econômicas e operacionais. Ou, nas respostas às seguintes perguntas:

  • Quão mais venderei ao ano?
  • Quão mais economizarei ao ano?
  • Quantos porcento pode variar a taxa de juros?
  • Como variarão meus custos?
  • Quão mais clientes conquistarei?
  • Que preço praticarei?

Note-se que os benefícios descritos no início deste artigo de nada servem se não contribuirem para os objetivos estratégicos da empresa, que incluem as respostas para as questões acima relacionadas. Quando se investe num sistema de inspeção visual automática, por exemplo, aumenta-se a garantia de qualidade dos produtos colocados no mercado, e, consequentemente, aumenta-se seu valor, fortalece-se a marca, vende-se mais e cobra-se mais caro.

Boas fontes de informações sobre análise de investimentos são o Google Adacemics e a Wikipedia(para contatos iniciais). Quem tiver interesse em maiores detalhes, pode me contatar através do e-mail denis@mekatronik.com.br ou da área de comentários do site. Estamos em constante contato com especialisas do PPGEP e do PIMES da UFPE.

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