Simples NÃO! Flexível, rápido, funcional, de fácil operação … | Dênis Leite

automação para competitividade

Simples NÃO! Flexível, rápido, funcional, de fácil operação …

Costumamos dizer na Mekatronik que um bom integrador é necessariamente um bom “aprendedor”. Quem trabalha nessa área sabe que a grande maioria dos projetos demanda tempo para estudar e conhecer novas tecnologias, componentes, máquinas, processos etc.
Nos Startups acontece algo extremamente interessante. Mesmo após as revisões de escopo, simulações e tryouts, quando se parte uma máquina ou processo o cliente sempre identifica pontos de melhoria. E é sobre esse ponto específico que quero falar.

Num sistema de controle bem estruturado, documentado, desenvolvido prevendo possíveis expansões e alterações, as solicitações dos clientes são por vezes resolvidas em alguns minutos. Porém, o que é resultado de horas de análise e “afiação do machado”, acaba por vezes parecendo ser simplesmente, uma operação “simples”.

Em parte, isso é fruto da maneira “simplista” com que nós engenheiros gostamos de explicar as coisas. Um bom engenheiro sempre consegue comparar o escoamento de uma barra de aço com o de uma liga de dinheiro “afina quando estica”, ou então o fluxo de elétrons num condutor com a mangueira de lavar o carro “os elétrons circulam, é preciso ter uma bomba propulsora (a fonte de corrente) etc. E tudo se torna “muito simples”.

O que não se pode perder de vista é que esse “simples” é resultado do esmagamento glúteo em várias “horas-bunda-cadeira” como diz o professor Trindade. Ou seja, na verdade, desenvolver uma solução flexível e atender com rapidez a uma solicitação de mudança do cliente não tem absolutamente nada de simples.

Outro dia conversando com um colega no escritório, o Tiago Ribeiro, ele comentou que Einstein uma vez disse que precisamos buscar simplificar as coisas mas sem torná-las “simples” no sentido de “banais”. Ou seja, tudo é mais simples quando se tem conhecimento. A simplificação é um produto de inteligência.

A primeira vez que fui chamado a atenção por usar inadequadamente a palavra simples foi quando desenvolvemos na universidade uma máquina e eu comentei com meu orientador que ela era “simples”. Então ele disse: – simples às vezes é um termo pejorativo. Na maioria das vezes, se você não usar simplesmente a palavra “simples”, vai encontrar o termo mais adequado.(Palavras do professor Arnaldo Cardim).

Nossa máquina não tinha nada de simples, na verdade ela era: versátil, rápida, econômica, compacta, de fácil uso, e de simples manutenção. Ou seja, por ser versátil, ela pode ser adaptada rapidamente para outras aplicações, por ser econômica, evita desperdícios, por ser compacta, pode ser instalada com pouco esforço, por ser de fácil uso, qualquer um aprende a programá-la em 5 minutos, e por ser de simples manutenção, qualquer pessoa pode cuidar desse assunto. Em outras palavras, nosso projeto sofisticado tornou simples a realização de várias tarefas subsequentes, mas não foi de forma alguma simples desenvolvê-lo e executá-lo.

Pense nisso!

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3 Comments

  • Uma visão imediatista e “simplista”, custo e prazo de entrega podem comprometer a flexibilidade de um projeto. Porém agregar recursos depois da máquina pronta quase sempre tem um custo maior, além de bagunçar o cronograma e o prazo de outros projetos.
    Com a experiência aprendemos a não usar a palavra “simples”, pois essa palavra opera uma mágica na cabeça do gerente ou cliente, que cobrará a execução para ontem e quase de graça. No dia-a-dia há muitas variáveis que não podemos controlar, como a usinagem de um dispositivo (montagem eletrica e teste do software sempre ficam para o final, com o prazo já estourado), uma dificuldade no tryout que não conseguimos prever antes, etc.
    Por isso vale sempre a pena “brigar” para conseguir vender um bom projeto logo no início, além de documentar as dificuldades causadas por projetos “simples” que precisaram ser refeitos depois. Isto servirá como argumento na hora de discutir o projeto.

  • Dênis,

    Das 3 imagens do site, apenas uma mostra uma máquina feita pelo setor em que trabalho (com as peças amarelas).
    Construímos máquinas somente para a empresa.
    Em sua maioria são equipamentos de calibração e/ou teste para nossos produtos.
    Nosso nível de automação de montagem é bem baixo.
    Passamos um bom tempo utilizando como tecnologia PC´s desktop, placas de aquisição de dados Advantech e programação em Delphi.
    Há uns 3 anos partimos para uso de CLP`s Atos (Custo!) em alguns projetos.
    Nosso último projeto utilizou SBC 3,5″ ATOM, modulos de aquisição USB e programação em Labview.

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